Um amigo muito querido me lembrou semana passada dessa musica do Gil e me pareceu bem propicio comecar a postagem da minha chegada ao Oriente com ela. Sim, que o Oriente me oriente eh o que mais quero... Vou seguir minha jornada por aqui pra ver se encontro o que busco!
Ter chegado por Pequim e ter me dado ao luxo de passar 4 dias por la pra descansar o corpo e a mente, ate fizeram com que eu abstraisse um pouco do stress da viagem. Mas mal sabia eu que logo apos superar a tensao-pre-dissertacao, cairia direto numa panela de pressao.
Apesar do jetlag e de ter passado boa parte do tempo na capital chinesa brigando com o fuso horario e dormindo, eu estava louca pra explorar. Em muitos momentos me flagrei perguntando pra mim mesma se era verdade tudo aquilo. Tinha a impressao de que a qualquer momento eu poderia acordar. Porque na verdade, eu estava mesmo realizando um sonho. Desde crianca eu dizia pra minha mae que um dia ainda daria a volta ao mundo. E pra chegar ao meu novo destino, eu precisei fazer isso. Eh claro que ainda nao consegui visitar nem metade dos lugares que quero ir, mas agora tenho certeza que as distancias diminuiram na mesma proporcao que minha vontade aumentou.
Ainda hoje me lembro bem de quando estudei sobre a China no primeiro grau. Naquela epoca eu ja me sentia atraida e curiosa pelo lado de ca. Queria saber mais sobre os inventores do papel, sobre o pais das bicicletas, da superpopulacao, da politica do filho unico (agora tambem do cachorro unico em Xangai), de historia milenar, de ideogramas. Queria saber mais sobre a vida dos imperadores, as guerras e a muralha construida em defesa do territorio. Queria saber como era um regime comunista, enfim, conhecer a China.
Apesar de nunca ter passado pela minha cabeca a ideia de morar aqui, na minha ingenuidade, acreditava que algum dia poderia, em uma visita, matar minha curiosidade. Mas apos quase 5 meses aqui, sei que nem uma vida inteira seria o suficiente pra conseguir desvendar os misterios desse canto do mundo.
Quando pisei em Pequim pensei em tudo isso. Me deu um frio na barriga e uma vontade louca de ignorar minha necessidade fisica de dormir e partir pra rua com uma camera na mao. Mas como cheguei as 5h da manha de terca feira, 5 de outubro (6 da tarde de segunda, 4 de outubro, no Brasil) o cansasso venceu a curiosidade e fui direto dormir. Marcelo ja me esperava no aeroporto e tambem ja tinha feito check in no hotel.
O hotel merece um paragrafo a parte. Ao lado da Praca da Paz Celestial (sim, a mesma de 1989 - que, por enquanto, nao convem comentar por aqui). Imponente ate no nome: "The Emperor", eh sem duvidas um dos hoteis de mais bom gosto que eu ja fiquei hospedada na minha vida. Nada muito luxuoso. Ao contrario, simples, mas moderno. O design dos moveis, a decoracao minimalista e clean dos quartos, banheiro, tudo muito diferente e inesquecivel.
| Fachada do hotel "The Emperor" |
Altamente recomendavel, nao apenas pela localizacao privilegiada no coracao de Pequim, mas tambem e, principalmente, pelo gosto refinado, evidenciado na decoracao e na funcionalidade dos moveis (freegobar embutido na cama, caixas de som em todos os ambientes do quarto, inclusive banheiro, musica de primeira qualidade no restaurante e areas comuns). Os quartos nao tem numeros, mas sim nomes de antigos imperadores chineses. No terraco um ofuro a ceu aberto, mesas de madeira, sobreluz e, o principal, uma vista privilegiada de um dos principais cartoes postais de Pequim: A Cidade Proibida.
| Terraco com vista pra Cidade Proibida |
Foi realmente muito importante passar esses primeiros dias em um hotel confortaval e bom, pra me recompor do periodo que tinha acabado de passar no Brasil e recarregar as baterias pro inicio do nada-facil novo ciclo. E talvez eu esteja falando tanto do hotel porque foi realmente o lugar onde passei a maior parte do tempo durante essa minha primeira visita a Pequim. Meu corpo pedia descansso. So depois de 15 dias de China que consegui dormir bem. Ate entao, estava seguindo o fuso horario brasileiro - dormindo de dia e virando a noite.
Depois de nao sei quantas horas de sono e com o organismo totalmente desequilibrado, acordei com uma fome absurda. Foi o meu primeiro contato com a autentica comida chinesa (porque a que comemos nos restaurantes chineses no Brasil nao vale, nao tem nada a ver com a comida daqui.. hehe). Junto com o primeiro contato com a comida, a briga pra conseguir usar os 筷子 (le-se kuai zi - os palitinhos de madeira). Ate hoje nao tenho muita habilidade pra isso. Alias, habilidade eh uma das tantas palavras-chave que eu usaria pra descrever os chineses.
| Primeiro almoco chines! |
Como primeira impressao, nada mal. Tirando o gosto muito apimentado e o excesso de oleo utilizado pra cozinhar, a culinaria chinesa tem algo que eu realmente aprecio: sabores diversificados, fortes e exoticos. Tem muita gente me perguntando se eu ja encarei carne de cachorro, grilo etc. E eu respondo que nao, mas vou dedicar um post exclusivo a comida pra matar a curiosdade de quem me pergunta.... hehe.
Depois do almoco, fomos enfim explorar um pouquinho da cidade. Nosso primeiro passeio foi em um meio de transporte muito comum na China: bicicleta! Mas nos nao fomos pedalando, porque queriamos um guia nos acompanhando. Pra isso, existem "taxistas de bike" e nos pegamos um desses pra dar uma volta nos Houtons de Pequim.
| o "taxista" entrando em uma ruazinha estreita dos Houtons |
Os Houtons sao bairros antigos da cidade, que parecem labirintos. Super charmosos com suas ruas estreitas e arquitetura antiga, esses bairros fazem parte da historia de Pequim. Existem familias que nunca sairam dali. Moram no mesmo lugar ha muitas geracoes. Eh um lugar de contrastes, com casas humildes ao lado de outras ostentando riqueza. Onde o moderno e o antigo se misturam, ja que virou uma forte atracao turistica na cidade e muitas das residencias antigas hoje sao utilizadas como lojas de souvenir, restaurantes, pousadas etc.
O passeio foi muito interessante e esse eh um lugar que vale a pena visitar em Pequim. Mas da proxima vez pretendo pedalar, pois posso fazer meu proprio roteiro. E pra quem nao sabe mandarim, nao adianta muito ir com um guia chines, pois a maioria tambem nao fala ingles.
| Fachada de uma residencia nobre nos Houtons |
A presenca de um estrangeiro desperta muita curiosidade nos chineses. Em cidades grandes e mais cosmopolitas como Pequim ou Xangai a euforia eh menor, mas eu estava na capital do pais durante o feriado mais importantes do ano pra eles, a primeira semana de outubro, quando comemoram o dia.....
Por isso Pequim estava lotada de chineses vindo de todos os cantos da China. Para muitos deles, essa poderia ser a primeira vez que estavam vendo um estrangeiro na vida. Eu senti o olhar curioso deles. Alguns pediam pra tirar foto com a gente (depois descobri que isso eh mais comum do que eu poderia imaginar aqui na China).
Mas ao mesmo tempo que achei tudo isso muito estranho, tentei entender o contexto e hoje admiro a abertura do chines pro diferente. Um pais que ficou fechado durante tanto anos e de repente comeca a se abrir pro resto do mundo, naturalmente desperta a curiosidade de sua populacao. Ja fui parada na rua por pessoas que queriam apenas falar com um estrangeiro. Ja me pediram pra sermos amigos ou pra pegar no meu cabelo ou pra que eu os ensinasse ingles. Enfim, foram varias as situacoes como essa, que aos poucos vou relatando no blog. Mas em Pequim foi a primeira vez que tive contato com essa curiosidade (quase infantil) chinesa, o que achei realmente interessante e por isso penso que vale um post a parte pra falar so sobre isso.
Voltando ao meu primeiro dia de China, depois do parque, demos uma volta em frente a Praca da Paz Celestial e seguimos pra um mercado de comidas, digamos exoticas. Espetinhos de grilo, besouro, mil coisas diferentes que eu realmente nao achei que exisita de verdade na China. Comi o que me parecia mais normal por la, uma especie de kebab vegetariano que estava bem gostoso e de la, de volta ao hotel, exausta!
| o mercado de comida a ceu aberto no centro de Pequim |
| espetinhos de bichinho (arghhhhhh...) |
| espetinhos de besouros |
E foi nesse dia tambem que encontrei a primeira palavra pra definir a China: cheiro. Sim, muitos, fortes, bons e ruins. Mas isso tambem eh assunto pra outro post. No proximo termino de relatar a primeira viagem a Pequim.
Cheiro!!! Super concordo!!!
ResponderExcluirHahaha.. melhor palavra pra definir a China!!
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